Cinefilando Crítica: Meia Noite em Paris

 

Meia Noite em Paris

(Midnight in Paris)

Ano: 2011

Gênero: comédia romântica

Mídia: cinema

Uma crítica por Newton X. .

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A festa de Woody Allen em Paris

O espaço urbano e suas possibilidades sempre foram o tema forte do nova-iorquino Woody Allen. Ultimamente ele tem deixado de lado sua cidade natal e ambientado suas histórias em outras paragens, como Barcelona, Londres e agora a Cidade Luz.

A obra pode ser classificada como uma comédia romântica, e mostra que essa categoria de filme tem muito mais do que “Hugh Grant”, “Julia Roberts” ou idealização de relações amorosas. As coisas são bem conduzidas, há um diretor atrás das câmeras e não uma “grife” para estampar cartaz, deixando em cada detalhe seus traços autorais sutis.

Entre os atores, assumo que Owen Wilson arrebentou – espero que esse filme seja um ponto de inflexão em sua carreira. Enfim, toda a constelação que participa do filme não faz feio. Sublinho as atuações de Kathy Bates como Gertrude Stein e Corey Stoll na pele do grande Ernest Hemingway.

É contada a história do roteirista de cinema Gil, escrevendo um romance. Com o dinheiro que ganha em seu ofício principal ele vai se inspirar em Paris. A cidade e seu passado de “Meca” de grandes artistas o fascina, ou como diria o título da obra de Ernest Hemingway, ídolo do personagem principal, “Paris é uma festa”. Ou era, já que ele tem de se contentar com sua realidade presente.

O personagem vive mergulhado na paixão pelo passado, enquanto tem de aguentar sua noiva  fútil, o sogro republicano (Allen e sua simpatia aos democratas!!) e os amigos do casal, amostras da cultura letrada do século XXI: pedância e vazio.

Gil prefere o caminho da EXPERIÊNCIA plena e simples na meia-noite parisiense. A viagem no tempo, artifício usado no filme de maneira leve e bela, mostra a efervescência cultural do Entreguerras, convidando à reflexão: o que é nostalgia? Um meio de se inspirar ou uma busca de algo que não se pode ter?

Os grandes encontros com artistas são ótimos. Destaco o diálogo memorável entre o personagem, Luis Buñuel e Salvador Dalí sobre as possibilidades de se amar alguém de outra época. *

Há ainda uma viagem dentro da viagem (não tem nada a ver com “A Origem”, ok?) em que a questão essencial do filme é solucionada: Qual a melhor época para se viver? A resposta, um pouco óbvia, vale pela beleza que contém.

Saí da sessão com vários pensamentos sobre as cidades: curioso notar que suas ruas e lugares tomam dos habitantes a história e a vida, contam muitas coisas, representam experiências e emprestam a elas um novo significado. E que bom mesmo é sair buscando a beleza em tudo. Sob a chuva.

Nota 9,5

*  Por falar em Buñuel, recomendo uma viagem no tempo, infelizmente via Youtube. Assistam o Cão Andaluz (1928): (Parte I) http://youtu.be/020Z8rONCIc (parte II) http://youtu.be/vkVqjHSzLes
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2 Respostas

  1. Esse tipo de filme não costuma me agradar e isso seria apenas mais um preconceito meu, porém depois dessa crítica fiquei bem curioso para ver esse filme!

  2. Assisti esse filme o tempo todo com um sorriso de encantamento no rosto….realmente adorável….

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