Cinefilando Crítica: Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2

Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2

(Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 2)

Ano: 2011

Gênero: aventura

Mídia: cinema

Newton X. faz um breve resumo sobre a saga Harry Potter e seu último filme.

Ainda em exibição nos cinemas brasileiros, clique aqui e veja o trailer.

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Antes de tudo aviso ao leitor que não vou discutir a transposição do livro para o cinema. Quem visita o Cinefilando sabe o que é um livro e o que é um filme, e que há a diferença entre eles, certo?

É verdade que a série Harry Potter é, digamos, “adaptável” ao cinema. A narrativa bastante “visual” de J. K. Rowling facilitou demais a transposição, de modo que um leitor não se sente traído e encontra nas cores do cinema muito das páginas do livro. Sendo assim vou me ater ao Potter cinematográfico, sem esquecer que ele saiu da literatura.

A saga de oito filmes teve o mérito de crescer junto com seus fãs na trilha da adolescência do mundo dos bruxos e no nosso mundo real. O “herói”, esse tipo de personagem que remonta às histórias da Idade Antiga é revisitado nas telas de modo muito criativo, encarando sua missão de superação e o desafio da maturidade. A ideia não é original, mas é explorada com bom gosto.

Os atores compuseram bem seus papéis, e mesmo não tendo muito brilhantismo, fazem lá seu trabalho com muita dignidade, já que a trama e a boa direção do filme os favorecem bastante.

A luta de Harry Potter nos faz por vezes esquecer toda a atmosfera de mundo mágico e nos identificarmos com sua natureza humana. De certa forma cada espectador sabe que o Voldemort de cada um está à espreita, pronto para um desafio final, no qual se sabe que algumas coisas ficarão para trás, mortas, para algo novo nascer das cinzas.

O aspecto soturno do filme é um acerto, captou a dimensão de angústia do fim, envolto com uma gama de efeitos especiais oportunas e um uso do recurso 3D que eu reputo como o melhor que vi  até agora. As explosões de cores, comuns nesses filmes de hoje, é substiuída pelo mergulho na escuridão.

Aproveito para mencionar algo que não vejo comentarem por aí: a mensagem sutil sobre a intolerância que emerge como característica de nosso desorientado século XXI.

Os bruxos e sua relação com a alteridade dos “trouxas” (não-bruxos) ditam as inclinações dos personagens e sua busca por poder, mesmo que por vezes esqueçamos. Não a toa, o fundador da casa que Voldemort integrou atendia pelo nome de Salazar Sonserina, uma referência a Antônio de Oliveira Salazar, líder do salazarismo. As referências não param por aí, há os dementadores, “repressores” temíveis do estado, o culto ao líder Voldermort, e outros tantos detalhes que nem cabem aqui.

Se Harry Potter sobreviverá como um grande ícone da cultura de massas? Provavelmente sim. Há uma legião de fãs que mantém uma relação interessante com a história, como também há potencial para se ganhar muito mais milhões de dólares com o universo criado por JK Rowling.

Deixo claro que o filme não é uma obra-prima, mas há algo que gostei, que foi resumido em um diálogo memorável entre Harry Potter a Alvo Dumbledore: o maior poder mágico que alguém pode ter é o poder da palavra. E com certeza é nela que reside o maior poder de Harry Potter: palavras carregadas de uma mensagem oportuna numa época tão miserável culturalmente, muito mais que em cenários bonitos, explosões ou efeitos especiais. Palavras que podem fazer a Fênix renascer das cinzas.

Nota:  8

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